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Educação e Direitos Humanos

Educação e Direitos Humanos

Por que só a História dos “Vencedores” é Contada?

Globalização ou Localização?

Já parou pra pensar que aquilo que tomamos como global, universal, na verdade tem uma raiz, uma origem? Alguém teve que, em algum momento, estabelecer esses padrões, por alguma razão.

É disso que Boaventura de Sousa Santos, grande intelectual português, fala quando trata do conceito de globalização.

“Proponho pois a seguinte definição: a globalização é o processo pelo qual determinada condição ou entidade local estende a sua influência a todo o globo e, ao fazê-lo, desenvolve a capacidade de designar como local outra condição social ou entidade rival”. (SANTOS, 1997, p.108)

Segundo o autor, a globalização é “a história dos vencedores contada por eles próprios”, ou seja, é a história das vitórias de uma cultura sobre outras, tornando-se, então, hegemônica. Esta passa a ser considerada a forma correta de viver e se relacionar em todos os âmbitos, desde o econômico ao social.

Dessa forma, o que se chama de globalização seria, na verdade, o sucesso de um determinado localismo. Pode-se sempre encontrar uma raiz local, cultural, específica, dessa globalização.

Sendo assim, o autor defende que temos Localização ao lugar de Globalização, mas que esta última terminologia é a adotada porque o discurso científico hegemônico privilegia a versão dos vencedores, fazendo muitas vezes com que a versão dos derrotados acabe por desaparecer quase totalmente.

Esse localismo globalizado do qual Boaventura trata é um reflexo das disputas por poder, onde uma cultura acaba predominando sobre muitas outras, ditando o padrão a ser seguido, e se tornando hegemônica.

Muitas vezes a cultura dos Direitos Humanos recebe essa exata crítica, de que na verdade, ela é uma cultura ocidental, que repete e impõe padrões ocidentais a todo um globo.

Contudo, não só o próprio autor, como diversos outros estudiosos e militantes da área, fazem a defesa de que a política de Direitos Humanos possui sim um cunho global, mas apresenta legitimidade local, e por isso teria um potencial emancipatório, rompendo com essa relação de duplo contexto da globalização, que hoje fragmenta culturas e impõe identidades.

E o que isso tem a ver com Educação?

Será que só queremos mesmo contar um lado da história? Que sociedade estamos levando à diante onde os “perdedores” – pode-se ler minorias – e suas histórias são constantemente esmagados e apagados em prol da manutenção de uma única lógica? Te convidamos a reconsiderar isso.

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Educação e Direitos Humanos

O que temos aprendido com o Movimento Não Feche a Minha Escola?

O que temos aprendido com o Movimento Não Feche a Minha Escola.

Eles estão fazendo história, e nós não podemos ser meros espectadores. Eles foram transformados e agora querem transformar a educação no nosso país, e é nosso papel fazer parte dessa transformação enquanto educadores, pais, sociedade civil organizada, políticos.

Eles não só reivindicam o que há anos estudiosos da educação e da sociedade reivindicam, eles transformaram discurso em ação.

É preciso derrubar os muros da escola. Eles trouxeram pais, amigos, estudantes universitários, artistas, ou seja, toda uma comunidade pra dentro da escola.
É preciso trazer mais arte e cultura pros ambientes escolares. Eles organizaram um viradão cultural, aberto a todos.
É preciso quebrar as barreiras disciplinares e estimular o pensamento crítico. Eles organizaram aulas temáticas, convidando palestrantes, montando rodas de debate.
É preciso instaurar uma gestão democrática na escola. Eles o fizeram, dividindo tarefas: um grupo cozinha, outro repara instalações, outro limpa as áreas comuns, outro faz a jardinagem, etc.
É preciso formar na e para a cidadania. É o que eles estão fazendo: lutando pelo o que lhes é de direito.

E a lista não para…

Esses estudantes estão nos dando a maior lição ação política coerente e concreta dos últimos tempos. Eles nos inspiraram, nos mostraram que somos realmente nós os agentes da democracia e que podemos sim mudar o rumo das coisas. O movimento começou em São Paulo e já chegou à Itália.

As ocupações não mudaram só os estudantes, elas mudaram o país.

O Reconsidere aplaude os estudantes e os educadores em luta, e se coloca ao lado deles. Nós também estamos em luta e ela não terminará até que a Educação Pública de Qualidade seja uma realidade nacional. Até que escola não seja sinônimo de opressão, tédio, obrigação; mas sim de lazer, cultura, amor, união – como bem desenharam os estudantes que ocupam a escola Marilsa Garbossa.

Além de aplaudir o Movimento Não Feche a Minha Escola, o Reconsidere aplaude a análise séria, comprometida, profunda e clara que a colunista do jornal El País Brasil, Eliane Brum, fez. E assim como ela, ficamos muito felizes de esbravejar: É POLÍTICA SIM, GERALDO! Esses estudantes estão nos mostrando como fazer política novamente.

Nenhuma escola a menos. Nenhum retrocesso a mais. Basta! Toda força às Escolas de Luta do Brasil e do Mundo!

http://brasil.elpais.com/…/07/opinion/1449493768_665059.html

Segue um pequeno trecho:
O fracasso na conversão de estudantes em “vândalos” para a opinião pública, apesar de todos os esforços, revela que a escola ainda têm um lugar forte no imaginário coletivo. A educação pública, tão abandonada, tão desrespeitada, tão desinvestida nestas últimas décadas, ainda ecoa na população como um valor. Ainda ressoa a consciência de que uma escola, neste país, não pode ser fechada. Muito menos dessa maneira. A escola, tão maltratada, ainda é um símbolo positivo.
Há aqui uma lição profunda que os estudantes das escolas públicas deram não apenas ao governador, mas ao conjunto da sociedade que acredita em saídas individuais, em geral na de matricular o filho na escola privada para pelo menos salvar o seu da tragédia educacional brasileira. Quando já se tornava difícil acreditar que houvesse uma saída, os estudantes se apropriaram das escolas e, com a ajuda de parte dos pais, passaram a cuidar dela. Coletivamente, como comunidade, como cidadãos. Cuidam do que ninguém mais de fato cuidava.
Acho que ainda não chegamos perto de alcançar o tamanho desse gesto, que nestas últimas semanas levou gente que nunca tinha pisado numa escola pública a oferecer de comida a serviços. Pessoas de todas as áreas têm se apresentado para dar aulas nas escolas ocupadas. Alunos de universidades prestigiadas, aquelas em que os estudantes da escola pública foram ensinados a acreditar que nunca entrariam, pediram para os secundaristas irem até a faculdade explicar o movimento. Os estudantes conseguiram derrubar muros que quase ninguém acreditava que ainda poderiam cair. E uma estudante ouviu de uma visitante no domingo, na Escola Estadual Fernão Dias Paes, a primeira ocupada na capital paulista, uma frase simbólica: “Tenho orgulho de viver numa cidade em que você existe”.

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‪#‎NãoFechemaMinhaEscola‬

Educação e Direitos Humanos

Educação e Direitos Humanos

Não seria papel da educação suscitar, fomentar e provocar o pensamento contra a naturalização dos absurdos que convivemos em nosso cotidiano?

A manutenção da lógica utilitarista e pouco reflexiva em nossas escolas faz com que, a cada dia, fiquemos mais acostumados às violações de humanidades cometidas perante os nossos olhos.

Segundo a filosofa política Hannah Arendt, existe uma relação entre o que ela chamou de banalidade do mal e o vazio de pensamento. Para ela, é na ausência de pensamentos – reflexões – que se encontra o ambiente perfeito para a disseminação do mal. Não é preciso a existência de mentes doentias, sádicas, perversas, para que atrocidades sejam cometidas contra a humanidade, mas sim de uma massa que não ousa refletir, apenas obedecer. Não percamos nossa memória histórica: a obediência como virtude foi a base que tornou possível o nazismo enquanto um modelo de assassinatos em massa.

Além disso, não percamos de vista o nosso papel de testemunhas nessa história. Como trazido por Jeane Marie Gagnebin, testemunha não é apenas aquele que vivenciou ou viu com os próprios olhos, mas também aquele que conseguiu ouvir a narração insuportável do outro e aceitou o compromisso de que essas palavras levariam adiante a história. Não por culpa ou pena, mas pelo entendimento de que é através da transmissão simbólica do sofrimento indizível vivido pelo outro, pela retomada reflexiva do passado, que poderemos não repeti-lo.

E do que se trata a educação se não de caminhar na direção contrária à reprodução do passado bárbaro?

Ainda hoje, a escola valoriza o acúmulo de saberes e habilidades na perspectiva utilitarista, já mencionada, em detrimento de uma educação que incentive a criatividade e a capacidade de reflexão. Temos uma escola pautada no conhecimento, e não no pensamento. Alguns caminhos podem – e devem – ser tomados no estabelecimento de diálogos entre conhecer e pensar.

Nós do Reconsidere estamos, cotidianamente, buscando por eles.